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Emissão do Informe de Rendimentos

Com a extinção da DIRF, o Informe de Rendimentos passou a refletir diretamente as informações enviadas mensalmente ao eSocial e à EFD-Reinf. Neste artigo, destacamos as principais revisões, pontos sensíveis e conferências essenciais para emitir o informe com segurança, evitar inconsistências e reduzir riscos para a empresa e para o beneficiário.

13/02/2026 Trabalhista
Emissão do Informe de Rendimentos

Revisões e Pontos de Atenção no cenário pós-DIRF

A extinção da DIRF mudou completamente a lógica de preparação do Informe de Rendimentos. Se antes muitos profissionais concentravam esforços no fechamento anual da obrigação, agora o Informe é reflexo direto das informações enviadas competência a competência ao longo do ano.

Isso significa que qualquer inconsistência transmitida durante os meses anteriores tende a aparecer na consolidação anual. Por isso, a emissão do Informe exige método, conferência e visão estratégica.

A seguir, destacamos os principais pontos sensíveis e revisões indispensáveis na rotina do Departamento Pessoal.


1. O Informe é o espelho do que foi enviado no ano

Com a substituição da DIRF, as informações passaram a ser prestadas mensalmente via:
•    eSocial – rendimentos do trabalho, pagamentos e desligamentos
•    EFD-Reinf – pagamentos sem vínculo e retenções correspondentes

O Informe de Rendimentos agora é a consolidação dessas transmissões.
Não se trata apenas de “gerar um documento”, mas de validar se o que foi pago corresponde exatamente ao que foi escriturado.


2. Faça o “mapa da fonte pagadora”

Antes de emitir qualquer informe, é fundamental levantar tudo o que foi pago ao longo do ano-calendário:
• Folhas mensais
• 13º salário
• Rescisões
• Pró-labore
• Pagamentos a autônomos
• Processos trabalhistas
• Pensão alimentícia ou pensão vitalícia
• Plano de saúde (titular e dependentes)
• Rendimentos isentos e indenizatórios

Esse mapeamento evita que informações fiquem dispersas entre folha, jurídico, benefícios ou fiscal.


3. Cadastros: onde começam as inconsistências

Grande parte dos problemas no Informe decorre de falhas cadastrais.

É indispensável revisar:
• CPF do beneficiário
• Cadastro correto de dependentes
• Natureza e classificação do rendimento
• Identificação de titular x dependente no plano de saúde

Erros nessa etapa comprometem deduções e podem gerar divergências na declaração do beneficiário.


4. Revisões por tipo de rendimento

Remuneração mensal
• Conferir rendimentos tributáveis acumulados
• Validar IRRF retido ao longo do ano
• Verificar deduções aplicadas

13º salário
• Revisar base específica de IRRF
• Confirmar retenção correta

Rescisões
• Separar corretamente verbas tributáveis e indenizatórias
• Validar IRRF aplicado na rescisão

Rendimentos isentos
• Garantir que verbas indenizatórias estejam corretamente classificadas
• Evitar que valores desapareçam da consolidação anual


5. Processos trabalhistas e RRA: alto grau de atenção

Pagamentos decorrentes de ações trabalhistas exigem cuidado redobrado.

É necessário verificar:
• Classificação correta do rendimento (tributável x isento)
• Enquadramento adequado de RRA (Rendimentos Recebidos Acumuladamente)
• Coerência entre decisão judicial, folha e escrituração

Erros de natureza ou classificação são frequentes e costumam gerar inconsistências relevantes.


6. Pensão e pensão vitalícia

Casos de pensão exigem alinhamento entre Departamento Pessoal, jurídico e setor de benefícios.

Revisar:
• Quem são os beneficiários
• Desde quando recebem
• Por qual sistema o pagamento foi realizado
• Se houve escrituração correta ao longo do ano

A fragmentação das informações é um dos maiores riscos nesse tipo de situação.


7. Planos de saúde: o ponto mais sensível

O detalhamento de plano de saúde é um dos principais focos de inconsistência.

É indispensável:
• Separar valores do titular e dos dependentes
• Validar CPF de todos os dependentes
• Confirmar se os valores foram informados corretamente durante o ano
• Evitar tentar “corrigir no informe” o que não foi escriturado corretamente

Quando o plano está mal informado, o beneficiário perde dedução e o DP assume a pressão no período de IRPF.


8. Rotina de conferência recomendada (modelo de “fechamento do informe”

Uma boa prática recomendada é seguir uma sequência estruturada:

• Passo 1 — Levantamento anual por tipo de pagamento
Folha, 13º, rescisões, processos, pensões, plano de saúde, pagamentos fora da folha

• Passo 2 — Conferência de cadastros
CPF/CNPJ, dependentes, beneficiários, vínculos e classificações

• Passo 3 — Conferência de classificação
Tributáveis x isentos x deduções

• Passo 4 — Conferência de coerência
O que foi pago x o que foi escriturado ao longo do ano

• Passo 5 — Emissão do informe e revisão final
Conferência de totais e detalhamentos críticos (principalmente plano de saúde, dependentes, RRA/processos e pensão)

Essa rotina reduz retrabalho e aumenta a segurança técnica.


A emissão do Informe de Rendimentos deixou de ser uma tarefa meramente operacional. No cenário pós-DIRF, ela se tornou uma etapa estratégica de validação do que foi transmitido ao longo do ano.

O Departamento Pessoal precisa atuar com disciplina e integração entre áreas e rigor na conferência dos dados.

Quanto mais organizada for a rotina mensal, mais tranquila será a consolidação anual — e menor será o risco de inconsistências, retrabalho ou questionamentos futuros.

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